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3 de outubro de 2012

As palavras que eu não te disse (parte I) por Sóninha Fernandes Santos)

Não seria a primeira vez que ela profere palavras contrárias às do seu coração, recorda-se:
É de noite, ela está bela, tem nos olhos o brilho incito da paixão, a pele suave e perfumada, os cabelos parecem fios de ceda tocados pelo sol. Ele corteja-a com o olhar, admira-a como se admira uma obra de arte. O desejo arde nos seus corpos e num movimento espontâneo e irreflectido tropeçam um no outro, os olhares cruzam-se e cortam o pouco acanhamento que ainda havia entre os dois. Não conseguem conter o desejo fogoso que sentem um pelo o outro. Dominados pela paixão beijam-se e traduzem em carícias o que sentem, e como que famintos e sedentos saciam-se um do outro, tacteiam-se, estão tomados de prazer. Ele percorre os caminhos e as curvas do corpo dela como se nela habita-se, e habita, mas ela não sabe. Ele toma-a e dela faz o seu santuário e ela consagra-se a ele. Ela é dele, mas ele não sabe.
Já sóbrios da paixão, ele pensa: - És formosa meu amor. Esculpida por Vénus foste. Os meus olhos detêm-se no teu corpo e o meu cheiro fundido ao teu é de todo uma confissão de amor.
- Em que pensas? - Ela pergunta-lhe. – Em banalidades. – Responde-lhe ele. Ela por instantes perde-se no olhar dele e os olhos dela dizem. - Amo-te, ... amo-te, ... amo-te tanto, quero-te tanto!
Ele pergunta-lhe. - Em que pensas? – Ela responde-lhe: - Que já se faz tarde. - Ele: - É verdade, precisamos de ir! Daqui a pouco questionarão a nossa ausência.
Ambos silenciam-se: - Pede-me para ficar! Foge comigo! Não, é impossível. Sim! É um AMOR PROIBIDO! Mas a paixão que os domina é superior à realidade que vivem. Qual realidade? A de um amor impossível de ser vivido. Quem os proíbe? As palavras que calaram! Almas gémeas que se ferem com palavras caladas. As palavras que não disseram proibiu o amor de falar.
Dias passaram-se e cada um desprosseguia a sua vida. Um sem o outro!