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23 de outubro de 2012

SILÊNCIO DA NOITE

É tarde, o dia vai morrendo
A noite veste a rua de silêncio
Ouço o uivo do meu tormento
É voz muda que ninguém ouve
É dor invisível que ninguém vê

É tarde, lá dentro chove
Lágrimas sustidas
De maculas retidas no coração
Chova em mim, chova em mim
A paz na minha inquietação

É tarde, a lua ilumina a noite
E nunca a deixa só, assim
Me auxilie Jesus Cristo
E com o Seu amor ilumine
A noite que tarda em mim


Sóninha Santos

21 de outubro de 2012

PÓ DA VIDA




É no pó da vida que muitas vezes encontro a coragem de voltar a mergulhar no quotidiano.
Sóninha Santos

18 de outubro de 2012

SOFREGUIDÃO

Pudesse eu arrancar
Este sentimento voraz
Que castiga o meu coração
Que come com sofreguidão o meu sossego
Pudesse eu transformar sentimentos em sons
então esta dor seria um grito de um brado profundo
Que ecoa até extinguir-se.

Sóninha Santos








15 de outubro de 2012

EXPRESSÃO DE UM CORAÇÃO DE LUTO

Meu bem
A rua já não tem 
A harmoniosa melodia da tua alegria
A janela do teu quarto 
Outrora, de azul vestida
Está hoje, coberta de negrura

O dia é tristonho
A noite é sombria
E no ímpeto pranto 
Dos que te amam
Choro a tua partida

O teu corpo que quente era
Como uma tarde de Primavera
Hoje, é gélido, hirto e ténue
Como o mármore que te agasalha

Culpada é a vida que te rejeitou
E a morte que te beijou
Desta tristeza que nos enlaça
E o vazio melancólico que nos abraça

Jaz o teu nome cravado na lápide
E a tua fotografia que espelha a tua figura
Excedentes de ti, mas a tua essência
Será em nós eternizada! Descansa em paz.


Por Sónia Fernandes Santos em homenagem ao meu pai

Meu amor que se foi

Meu amor …
Já não conto os dias, as horas,
Os minutos e os segundos para te ver.
Meu amor …
Para ti o tempo é agora inexistente.
És ininterrupto e eterno em instantes.
Meu amor …
Tu te foste e o que restou 
Foram os dias, as horas 
Os minutos e os segundos
Que vivemos
Meu amor …

Sóninha Santos

13 de outubro de 2012

DOENÇA

As falanges dos teus dedos doem
Por falta de percorrerem o meu corpo.

Sente-se rouca a tua voz,
Por falta de suspirar nos meus ouvidos,
As palavras eloquentes, 
Filhas da paixão, 
Frutos dos teus lábios.

A minha ausência
É o narcótico concentrado
Nas tuas entranhas
Que lacera o teu coração.

Dizias que não me amavas
E privaste-te de mim.

Hoje, por tal abstinência,
O teu corpo está febril,
 inflamado, infectado por mim.

Eu sou um vírus em ti.
Sou a tua doença.

Sóninha Santos


















Autora: Sónia Fernandes Santos

11 de outubro de 2012

ESQUARTEJO DE MIM EM MIM

Em mim,
Morrem todos os pensamentos
Estão em coma todos os sentimentos.
De mim,
Escorrem os sonhos, as paixões,
Derretem-se as ambições.
Em mim,
Mora a desilusão, morreu a canção,
O soneto é fúnebre.

De mim,
Se esconde o eu, revolta-se o ego
Distorce-se o conceito de mim mesma.
Em mim,
Sou prisioneira,
Da certeza traiçoeira.

De mim,
Fui ...
levada ...
cativa ...


Ouço o tino da liberdade
Mas cobre-me a ansiedade
Resgate-me a esperança
Devolva-me a lembrança
Que em mim,
Mora a força de vencer
Que de mim,
Nasce a coragem de viver
Sóninha Santos
Autora: Sónia Fernandes Santos




6 de outubro de 2012

CORAÇÃO

Sóninha Santos

Confissão à Vida

Um dia destes, eu saio para procurar a vida e quando a encontrar beijarei a sua mão, serei ousada e sem timidez convidar-lhe-ei para passear. Passearemos de barco pelo rio que desce pelas montanhas e desnuda tão magnífica paisagem. Ao som do canto de um passarinho far-lhe-ei uma confissão de amor. Dir-lhe-ei dos meus sonhos, dos projetos que fiz para nós. Farei questão de fazê-la saber que sem ela não existo e nada faz sentido e que se não a tiver ao meu lado, serei então a mais infeliz dos seres. Ah vida minha, como eu amo-te e quero-te! Não vivamos mais em desencontros quase fatais.
Sóninha Santos 

5 de outubro de 2012

SER OU NÃO SER

E parte da vida passa-a a tentar SER ...

SER alguém que gostaria de SER ...

SER alguém que pensa que deveria SER ...

SER alguém que a outros agradaria se FOSSE ...

E tenta então, SER o que não é ... 


Cansado de tentar SER, abandona assim o intento "de" ... e dessa desistência surge o maravilhoso milagre do indivíduo:

- a existência do SER ele próprio.


Terá as suas consequências, porque não se pode agradar a gregos e troianos, mas ele sabe, sim, agora tem consciência que existir é SER-se quem se É.


Sóninha Santos


3 de outubro de 2012

Mergulho Profundo


Olhei alem dos teus olhos e vi a tua alma. Mergulhei em ti e senti o teu sopro. Ao som da tua voz a minha alma amou-te e em silêncio eu vivia-te. Tu perguntavas-me o porquê do meu silêncio, respondi-te?
Sóninha Santos
Sóninha Santos

As palavras que eu não te disse (parte I) por Sóninha Fernandes Santos)

Não seria a primeira vez que ela profere palavras contrárias às do seu coração, recorda-se:
É de noite, ela está bela, tem nos olhos o brilho incito da paixão, a pele suave e perfumada, os cabelos parecem fios de ceda tocados pelo sol. Ele corteja-a com o olhar, admira-a como se admira uma obra de arte. O desejo arde nos seus corpos e num movimento espontâneo e irreflectido tropeçam um no outro, os olhares cruzam-se e cortam o pouco acanhamento que ainda havia entre os dois. Não conseguem conter o desejo fogoso que sentem um pelo o outro. Dominados pela paixão beijam-se e traduzem em carícias o que sentem, e como que famintos e sedentos saciam-se um do outro, tacteiam-se, estão tomados de prazer. Ele percorre os caminhos e as curvas do corpo dela como se nela habita-se, e habita, mas ela não sabe. Ele toma-a e dela faz o seu santuário e ela consagra-se a ele. Ela é dele, mas ele não sabe.
Já sóbrios da paixão, ele pensa: - És formosa meu amor. Esculpida por Vénus foste. Os meus olhos detêm-se no teu corpo e o meu cheiro fundido ao teu é de todo uma confissão de amor.
- Em que pensas? - Ela pergunta-lhe. – Em banalidades. – Responde-lhe ele. Ela por instantes perde-se no olhar dele e os olhos dela dizem. - Amo-te, ... amo-te, ... amo-te tanto, quero-te tanto!
Ele pergunta-lhe. - Em que pensas? – Ela responde-lhe: - Que já se faz tarde. - Ele: - É verdade, precisamos de ir! Daqui a pouco questionarão a nossa ausência.
Ambos silenciam-se: - Pede-me para ficar! Foge comigo! Não, é impossível. Sim! É um AMOR PROIBIDO! Mas a paixão que os domina é superior à realidade que vivem. Qual realidade? A de um amor impossível de ser vivido. Quem os proíbe? As palavras que calaram! Almas gémeas que se ferem com palavras caladas. As palavras que não disseram proibiu o amor de falar.
Dias passaram-se e cada um desprosseguia a sua vida. Um sem o outro!




2 de outubro de 2012

As palavras que eu não te disse ( parte II) por Sóninha Fernandes Santos

Ela estava envolta em seus pensamentos, embriagada de paixão. 
É de noite e ele admira-a com saudade e ela aproxima-se dele. Os corações começam a bater ao mesmo ritmo, as mãos dele recebem a cintura dela e confessam com um beijo intenso a alegria do reencontro. Os lábios dele libam os dela e ela prova lentamente com volúpia a boca dele.
O coração dela pulsa e vocifera as sílabas do nome dele, tão alto que sem ela saber o coração dele ouve e responde com batidas que teimam em repetir o nome dela. 
De repente ela é desperta pelo som do seu mensageiro, que anuncia-lhe o que o seu coração mais temia: 
- Estou de partida, regresso hoje a Kuala Lumpur.
Aconteceu! O mundo dela aluiu. O coração explode num grito frenético que acorda-lhe a alma. A alma, a sua alma, essa que dormia um doce sono, onde sonhava esperançosa que bebia do amor dele. Quer responder-lhe, tem de responder-lhe: - Não meu amor, não te vás embora. Tu és o tal, aquele que dá sentido e sabor à minha vida! Eu amo-te! Se tu te fores o meu coração morrerá aos poucos.
Com os olhos cheios de lágrimas, ela riposta: - Tem uma boa viagem. Adeus! 

As palavras que eu não te disse afastaram-nos, as palavras que tu não ouviste impediram-nos de viver o nosso amor...